Mensagens revelam plano para matar jovem em Poxoréu e ordem para apagar provas após execução

Mensagens revelam plano para matar jovem em Poxoréu e ordem para apagar provas após execução

Conversas recuperadas pela Polícia Civil indicam monitoramento de Lavínia Gabrielly, preparação da fuga e tentativa de eliminar registros digitais depois do crime

Na madrugada de 10 de maio, em Poxoréu, a jovem Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho foi morta a tiros dentro de uma casa noturna. Mensagens recuperadas pela Polícia Civil agora ajudam a reconstruir os momentos que antecederam a execução e apontam, segundo o relatório da investigação, para o monitoramento da vítima, a preparação do apoio para a fuga e uma ordem para apagar provas digitais após o homicídio.

Os diálogos foram extraídos de celulares apreendidos durante a investigação. Um dos principais conjuntos de mensagens estava no aparelho de Túlio César de Oliveira Lima, identificado pelo codinome “Dominador”. O contato salvo como “Infinity” foi posteriormente relacionado pelos investigadores a Aldo Rodrigues de Souza, conhecido como D40.

Segundo o relatório policial, a primeira conversa destacada ocorreu às 23 horas e 54 minutos do dia 9 de maio. Na ocasião, “Infinity” teria orientado Túlio a permanecer preparado para “resgatar um mano”. Naquele momento, ainda não havia um local definido para a retirada.

A comunicação continuou durante a madrugada. Às 0 hora e 45 minutos, Túlio teria perguntado se o apoio ainda seria necessário. A resposta foi positiva, com a informação de que a chuva havia atrasado a saída da vítima.

Pouco depois da 1 hora, o interlocutor informou que a chuva havia parado e que Lavínia seguiria para o estabelecimento conhecido como Rezende. Às 1 hora e 38 minutos, Túlio teria recebido o ponto onde deveria aguardar e foi orientado a se deslocar rapidamente.

Apoio para fuga teria sido articulado antes dos disparos

Ainda conforme o relatório, nos minutos seguintes Túlio informou que estava chegando à região indicada e perguntou qual motocicleta seria utilizada pelo executor. A resposta teria sido apagada, seguida de uma ligação entre os envolvidos.

O homicídio ocorreu por volta das 2 horas. Lavínia foi atingida por pelo menos quatro disparos e morreu ainda dentro do estabelecimento, conforme os elementos periciais citados na investigação.

Poucos minutos depois, às 2 horas e 2 minutos, surgiu outra comunicação considerada relevante pelos investigadores. Segundo o relatório, “Infinity” teria determinado que Túlio formatasse o celular, apagasse o WhatsApp e posteriormente trocasse o número utilizado.

Para a Polícia Civil, a sequência das mensagens indica que os investigados teriam conhecimento prévio da movimentação da vítima e atuado na preparação do apoio e na definição do ponto de espera.

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Investigação aponta possível motivação ligada ao tráfico

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que a morte estaria relacionada à suspeita de que Lavínia repassava informações à Polícia Militar sobre integrantes do Comando Vermelho, incluindo possíveis endereços, veículos e locais associados ao tráfico de drogas.

As análises dos aparelhos celulares também teriam revelado informações sobre Ana Clara Sousa da Guia, que tinha 17 anos na época e acompanhava Lavínia antes do crime.

De acordo com a investigação, a adolescente possuía informações sobre as desconfianças contra a vítima e sobre a possível execução. Por ser menor de idade à época, ela não foi indiciada criminalmente, e a Polícia Civil informou que a situação deverá seguir as regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Dois investigados foram indiciados

Com base no conjunto de elementos reunidos no inquérito, Aldo Rodrigues de Souza e Túlio César de Oliveira Lima foram indiciados, em tese, por homicídio qualificado e crimes relacionados à organização criminosa.

O relatório, contudo, ressalta que o responsável pelos disparos ainda não havia sido identificado.

As mensagens recuperadas dos celulares passaram a integrar um dos principais elementos da investigação por ajudarem a estabelecer uma sequência temporal entre a movimentação da vítima, a preparação do apoio e as ações realizadas imediatamente depois da execução.

Fonte: HiperNotícias, reportagem de Gabriel Barbosa, publicada em 17 de agosto de 2026, com informações atribuídas ao relatório da Polícia Civil.


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