Pivetta prevê R$ 490 milhões para habitação em MT e promete viabilizar 60 mil moradias até 2030
Proposta orçamentária para 2027 amplia recursos destinados à habitação, mas cumprimento da meta dependerá de financiamentos, parcerias e execução dos projetos.
O Governo de Mato Grosso prevê ampliar os investimentos em habitação para R$ 490 milhões em 2027. A proposta orçamentária encaminhada à Assembleia Legislativa representa um aumento expressivo em relação aos R$ 15 milhões previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 para a função Habitação. A medida está relacionada ao compromisso do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) de viabilizar 60 mil moradias populares ao longo de quatro anos, até o final de 2030.
Para alcançar a meta, o Estado precisará viabilizar uma média de 15 mil unidades habitacionais por ano, o equivalente a aproximadamente 1.250 moradias por mês. O desafio envolve não apenas a disponibilidade de recursos públicos, mas também a obtenção de terrenos, a elaboração de projetos, a contratação de obras e a articulação com municípios, instituições financeiras e Governo Federal.
Orçamento cresce, mas execução será decisiva
A proposta da Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê orçamento estadual superior a R$ 46 bilhões. Dentro desse planejamento, a habitação aparece entre as áreas com maior crescimento percentual de recursos.
Entretanto, o aumento de R$ 15 milhões para R$ 490 milhões exige uma análise cuidadosa. Em 2026, também havia previsão de R$ 104 milhões do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) destinados ao programa Ser Família Habitação.
Por isso, a comparação entre as dotações da função Habitação não representa, necessariamente, a evolução de todos os recursos públicos aplicados no setor. Para avaliar o crescimento efetivo, será necessário considerar as diferentes fontes de financiamento e evitar a contagem duplicada de valores.
Além disso, a previsão orçamentária não significa que todo o dinheiro será efetivamente gasto ou convertido em casas entregues às famílias.
Meta exige 15 mil moradias por ano
Durante a campanha eleitoral, Pivetta assumiu o compromisso de viabilizar 60 mil casas populares em quatro anos. Para cumprir a promessa até 2030, a administração estadual terá de manter um ritmo elevado de execução dos projetos habitacionais.
Se os R$ 490 milhões previstos para 2027 fossem divididos pela meta anual de 15 mil moradias, o resultado seria de aproximadamente R$ 32,7 mil por unidade. Esse cálculo, porém, é apenas uma referência matemática e não representa o custo real de construção de uma casa.
Na prática, os recursos estaduais poderão funcionar como subsídios ou contrapartidas em empreendimentos que também contem com financiamento federal, participação municipal e investimentos privados.
Até o momento, os valores orçamentários apresentados, isoladamente, não permitem determinar quantas moradias serão entregues em 2027 nem qual será a participação financeira do Estado em cada unidade.
Ser Família Habitação pode ampliar o acesso à casa própria
O programa Ser Família Habitação é uma das estruturas disponíveis para ampliar o acesso à moradia em Mato Grosso. A iniciativa utiliza mecanismos de apoio para facilitar a aquisição da casa própria, especialmente por famílias que enfrentam dificuldades para financiar um imóvel.
A expansão da política habitacional dependerá da capacidade de execução dos recursos e da articulação com prefeituras, instituições financeiras e construtoras.
A disponibilidade de terrenos regularizados, a implantação de infraestrutura urbana e as condições de financiamento também serão fatores importantes para acelerar os empreendimentos.
Outro ponto fundamental será acompanhar a diferença entre moradias anunciadas, contratadas, em construção e efetivamente entregues. Esses indicadores permitirão avaliar o avanço real da política habitacional e o cumprimento da promessa de campanha.
Proposta ainda depende de aprovação
A previsão de R$ 490 milhões integra a proposta orçamentária para 2027 e ainda depende da tramitação e aprovação pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Mesmo após a autorização legislativa, os recursos precisarão ser executados para produzir resultados concretos. A definição dos projetos, das fontes de financiamento e do cronograma de obras será essencial para estabelecer quantas famílias poderão ser beneficiadas.
O desafio do governo será transformar o aumento previsto no orçamento em moradias concluídas e entregues à população.
A promessa de 60 mil casas populares deverá ser avaliada não apenas pelo volume de recursos anunciados, mas principalmente pelo número de unidades efetivamente viabilizadas e pelas famílias que conseguirem conquistar a casa própria em Mato Grosso.
Fonte: Diário de Cuiabá, reportagem de Eduardo Gomes, publicada em 12 de outubro de 2026.
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