MP denuncia missionária e mais cinco pessoas por suposta ligação com facção criminosa em Cuiabá

MP denuncia missionária e mais cinco pessoas por suposta ligação com facção criminosa em Cuiabá

Investigação do Gaeco aponta uso de grupo religioso para intermediar contatos entre detentos e integrantes de organização criminosa em Mato Grosso

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou seis pessoas suspeitas de envolvimento com uma organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia foi apresentada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá e tem como principal alvo a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida.

Também foram denunciados Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Renildo da Silva Rios, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.

De acordo com a investigação, Rhavenna, sua mãe Orminda e Renildo teriam integrado um núcleo ligado ao Comando Vermelho entre os anos de 2024 e 2026. Já os demais denunciados são acusados de participação em um esquema de movimentação financeira destinado a ocultar recursos supostamente provenientes de atividades criminosas.

Segundo o Gaeco, Rhavenna e Orminda atuavam em um grupo religioso denominado “Equipe de Evangelismo Resgatando Vidas”, realizando visitas a unidades prisionais em Mato Grosso. Conforme a denúncia, a atividade teria sido utilizada para facilitar a comunicação entre integrantes presos, foragidos e membros em liberdade da facção.

As investigações foram baseadas em diálogos obtidos mediante autorização judicial, além de imagens e arquivos encontrados em armazenamento digital. O Ministério Público sustenta que a missionária atuava como intermediária de mensagens, atendia demandas de detentos e auxiliava na movimentação de recursos financeiros.

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Ainda conforme a denúncia, Rhavenna teria mantido proximidade com uma liderança da organização criminosa em Mato Grosso, recebendo valores e prestando auxílio durante o período em que o investigado permaneceu foragido.

O Ministério Público afirma que o núcleo familiar também teria participado de um esquema de lavagem de dinheiro por meio de depósitos, transferências bancárias, aquisição de bens e recebimento de valores em espécie. Entre os benefícios identificados pela investigação estariam joias, flores, veículo e pagamentos de despesas pessoais.

As apurações indicam ainda que parte do dinheiro era armazenada temporariamente em residências de familiares antes de ser distribuída entre diferentes contas bancárias. O objetivo, segundo os investigadores, seria dificultar a identificação da origem dos recursos e evitar alertas dos sistemas financeiros.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, equipes localizaram quantias em dinheiro em posse de investigados, valores que passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pelo Ministério Público.

Participação dos familiares

Conforme a denúncia, Rhuan Barcelos da Conceição seria responsável por armazenar valores em espécie e orientar a distribuição dos recursos entre diversas contas bancárias.

Anatany Nina de Barcelos Souza Alves é acusada de realizar depósitos e controlar limites de movimentação financeira. Segundo o Gaeco, a função exercida por ela em uma casa lotérica teria contribuído para a operacionalização dos depósitos.

Já Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi teria recebido valores e benefícios provenientes do esquema investigado, além de realizar movimentações financeiras em favor dos demais envolvidos.

Ao final da denúncia, o Ministério Público imputou a Rhavenna, Renildo e Orminda os crimes de integração de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os demais denunciados responderão, em tese, pelo crime de lavagem de dinheiro.

O caso segue em análise pela Justiça de Mato Grosso, que decidirá sobre o recebimento da denúncia e a abertura da ação penal.

Fonte: Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Gaeco e Gazeta Digital.


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