Violência em Porto de Galinhas escancara o lado feio do turismo brasileiro
Porto de Galinhas (PE) — O episódio envolvendo dois turistas de Tangará da Serra, agredidos por barraqueiros após um desentendimento sobre o valor de uma conta na praia de Porto de Galinhas, expõe uma ferida antiga e mal cicatrizada do turismo brasileiro: a combinação perigosa entre falta de preparo, práticas desonestas e ausência de fiscalização efetiva.
Porto de Galinhas é vendida ao mundo como cartão-postal do Nordeste, símbolo de hospitalidade, beleza natural e lazer. Na prática, cenas de violência motivadas por cobranças abusivas e discussões banais revelam um cenário oposto ao discurso oficial de acolhimento e profissionalismo no atendimento ao turista.
Segundo relatos, os visitantes questionaram valores cobrados que divergiam do combinado inicialmente — uma prática infelizmente comum em diversos pontos turísticos do país. A informalidade e a ausência de preços claros abrem espaço para abusos. Em vez de diálogo, transparência ou mediação, a resposta foi agressão física. Mais de um barraqueiro partiu para a violência contra um dos turistas, que acabou ferido e ensanguentado diante de dezenas de pessoas.
Esse comportamento não é um problema isolado. É sintoma de uma cultura de impunidade e despreparo. A violência como reação a um questionamento legítimo demonstra não apenas falta de educação básica, mas total inaptidão para lidar com o público — ainda mais em uma atividade que depende diretamente da boa experiência do visitante.
O impacto vai além das vítimas. Cada vídeo que circula nas redes sociais, cada turista agredido ou lesado, corrói a imagem do Brasil como destino seguro e confiável. Em um mundo onde a reputação se constrói — ou se destrói — em segundos, episódios assim afastam visitantes, reduzem receitas e prejudicam trabalhadores sérios que atuam corretamente no setor.
Chama atenção, ainda, a ausência de informações claras sobre prisões, responsabilizações ou mesmo registro formal da ocorrência. A falta de respostas rápidas e firmes do poder público reforça a sensação de permissividade e incentiva a repetição desses episódios, especialmente em períodos de alta temporada.
Turismo não vive só de belas paisagens. Exige profissionalismo, honestidade, regras claras e respeito. Enquanto práticas abusivas forem toleradas e a violência tratada como “desentendimento pontual”, o Brasil seguirá sabotando a própria imagem — transformando paraísos naturais em cenários de medo, desconfiança e vergonha nacional.
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