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ABORDAGEM CONTRADITÓRIA: VÍDEOS MOSTRAM POSSÍVEL ABUSO DE POLICIAIS PENAIS EM CUIABÁ

ABORDAGEM CONTRADITÓRIA: VÍDEOS MOSTRAM POSSÍVEL ABUSO DE POLICIAIS PENAIS EM CUIABÁ

Cuiabá – Vídeos de câmeras de segurança e o relato do motorista de aplicativo Richard Augusto de Campos Fonseca Galibert, de 26 anos, levantam dúvidas sérias sobre a conduta de policiais penais durante uma abordagem realizada na manhã de 2 de dezembro de 2025, na Avenida A, no bairro Distrito Industrial. A versão registrada no boletim de ocorrência diverge em vários pontos do que as gravações mostram.

A família afirma que Richard trafegava sentido Jardim Industriário I quando uma viatura da Polícia Penal entrou de forma abrupta na via, quase causando colisão. O motorista desviou, seguiu alguns metros e, ao retornar para buscar um passageiro — procedimento comum em aplicativos — acabou interpretado pelas agentes como atitude suspeita.

Poucos segundos depois, a viatura parou em frente a uma casa de carnes. As câmeras registram a policial do banco do passageiro descendo com a arma em punho, abrindo a porta do carro do motorista e ordenando que ele saísse. As imagens mostram Richard caminhando para a calçada com as mãos levantadas, sem resistência.

A narrativa oficial, porém, fala em intimidação, desobediência, avanço físico contra a guarnição e ameaça. Nenhum desses comportamentos aparece nos vídeos. O que se vê é exatamente o oposto: postura colaborativa, mãos erguidas, ausência de agressividade e, em seguida, o motorista sentado no chão, obedecendo às ordens.

A ação escalou quando outra viatura da Polícia Penal chegou com quatro agentes. A partir desse momento, as imagens mostram um policial penal aproximando-se do jovem, que permanecia sentado e imóvel, e lhe dando um tapa no rosto — agressão que não aparece no boletim de ocorrência. Segundo Richard, foram dois golpes fortes, que quase o fizeram desmaiar.

A família questiona a legalidade da abordagem e o fato de a Polícia Penal realizar patrulhamento ostensivo, função que não integra suas atribuições. O pai da vítima, bombeiro militar há mais de 20 anos, relata que também foi intimidado ao tentar entender a situação. A irmã do jovem também teria sido empurrada por uma policial.

Mesmo com a presença da Polícia Militar, as policiais penais insistiram em conduzir Richard na própria viatura. No trajeto, segundo ele, os agentes passaram a acelerar e frear bruscamente, atravessar lombadas de forma agressiva e fazer ameaças psicológicas, dizendo que iriam prejudicá-lo e “acabar com a carreira do pai”.

Ao chegar à Delegacia da Arena Pantanal, o motorista foi colocado em uma cela.

As principais contradições entre o BO e o que mostram os vídeos incluem:

– A acusação de tentativa de investimento contra as policiais, não observada nas imagens;
– A narrativa de resistência ativa, enquanto os vídeos mostram o motorista sentado e obedecendo;
– A omissão da agressão registrada claramente nas filmagens;
– A alegação de ameaça verbal, não perceptível em nenhum trecho gravado.

A família prepara representações ao Ministério Público e à Corregedoria da Polícia Penal, solicitando investigação por abuso de autoridade, análise da agressão, apuração de omissões no BO e verificação de possível desvio de função dos agentes.

A Polícia Penal será oficialmente comunicada sobre os vídeos e terá espaço para manifestação. Até o momento, não houve posicionamento da instituição.


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