MPF recomenda suspensão de visitas à Cachoeira do Prata após degradação ambiental e mortes em MT
Atrativo turístico em Juscimeira recebe até 2 mil visitantes por fim de semana; investigação identificou lixo, danos à vegetação, ameaças ao patrimônio arqueológico e falta de estrutura de segurança.
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou medidas emergenciais para controlar o acesso de turistas à Cachoeira do Prata, em Juscimeira, a cerca de 164 quilômetros de Cuiabá. Entre as providências está a possibilidade de suspensão temporária da visitação diante da degradação ambiental, da falta de infraestrutura de segurança e do histórico de quatro mortes por afogamento registradas entre 2021 e 2025.
Considerado um dos atrativos naturais da região, o complexo turístico recebe até 2 mil visitantes por fim de semana, segundo estimativas da comunidade local. A visitação desordenada tem provocado acúmulo de resíduos, abertura de acessos clandestinos, danos à vegetação nativa e ameaças a áreas de importância arqueológica.
A recomendação foi expedida em 29 de setembro pelo procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins e encaminhada a órgãos federais, estaduais e municipais, incluindo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Prefeitura de Juscimeira e o Corpo de Bombeiros Militar.
Quatro mortes por afogamento e falta de segurança
Um dos principais pontos de preocupação é a ausência de estrutura adequada para proteger os frequentadores. Segundo informações do Corpo de Bombeiros citadas na investigação, quatro pessoas morreram afogadas no local entre 2021 e 2025. Também houve um salvamento aquático em 2026.
O complexo não conta com postos permanentes de guarda-vidas nem com sinalização suficiente sobre profundidade, correntes de água e riscos associados a saltos das formações rochosas.
O histórico inclui ainda dois incêndios florestais de grandes proporções registrados em 2025.
Diante dos riscos, o MPF defende medidas imediatas para organizar o fluxo de visitantes e impedir novas ocorrências. A recomendação, entretanto, não determina o fechamento definitivo da cachoeira, mas prevê a possibilidade de suspensão temporária até que existam condições adequadas de segurança e controle ambiental.
Lixo acumulado e danos à vegetação
A investigação também identificou problemas relacionados à coleta de resíduos. Em 29 de janeiro de 2026, a Prefeitura de Juscimeira retirou quatro caçambas utilizadas para recolher o lixo deixado pelos turistas. A administração municipal alegou que o local está em uma área federal administrada pelo Incra.
Após a retirada dos equipamentos, moradores do assentamento passaram a organizar mutirões voluntários para limpar a região. Durante os trabalhos, eles recolhem resíduos e materiais perfurocortantes, muitas vezes sem equipamentos de proteção individual.
As inspeções também apontaram fogueiras acesas sobre raízes de árvores nativas em Área de Preservação Permanente (APP), algumas a menos de 20 metros de residências.
Outro problema é a circulação irregular de carros, caminhonetes e ônibus sobre o leito rochoso do rio. A prática pode provocar compactação do solo, abertura de caminhos na vegetação e contaminação da água por combustíveis e lubrificantes.
Mais de 11 hectares de área degradada
Um levantamento realizado pela Sema em 3 de setembro identificou 11,0035 hectares de áreas abertas e degradadas na faixa de preservação permanente do Rio do Prata.
A análise, baseada em imagens de satélite de alta resolução, também registrou pontos de regeneração natural. No entanto, a visitação sem controle continua provocando intervenções na vegetação protegida, incluindo abertura de vias clandestinas e circulação de veículos em áreas ambientalmente sensíveis.
A Cachoeira do Prata e um trecho de 63 quilômetros do Rio do Prata são protegidos por tombamento estadual como Patrimônio Histórico, Natural e Paisagístico de Mato Grosso.
Pinturas rupestres também estão ameaçadas
Além dos danos ambientais, a investigação identificou vandalismo em um sítio arqueológico da região, que abriga gravuras e pinturas rupestres pré-históricas em formações rochosas próximas ao reservatório da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) São Lourenço.
As inspeções constataram pichações e danos físicos provocados por intervenções nas rochas. Diante da situação, o MPF recomendou que o Iphan avalie a extensão dos prejuízos e elabore um plano de restauração e proteção do patrimônio.
A preocupação é que a continuidade da visitação sem fiscalização adequada provoque danos irreversíveis a registros históricos e culturais.
Órgãos têm prazo para adotar medidas
A recomendação estabelece prazo de sete dias para que a Prefeitura de Juscimeira, o Incra e a Sema adotem medidas emergenciais para organizar a visitação. Entre as providências estão a possibilidade de suspender temporariamente o acesso de turistas, divulgar eventuais restrições nos canais oficiais, restabelecer a coleta periódica de resíduos e impedir a circulação de veículos no leito do rio e em áreas de preservação permanente.
O Incra recebeu prazo de 15 dias para criar e coordenar um grupo de trabalho com representantes dos órgãos envolvidos e da comunidade local.
O grupo deverá elaborar um Plano Emergencial de Ordenamento Territorial e discutir a regularização da área comunitária, além da implantação de um modelo de Turismo de Base Comunitária, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A proposta é conciliar a preservação ambiental e a segurança dos visitantes com a geração de renda para as famílias que vivem no assentamento.
Os órgãos notificados também têm 15 dias corridos para informar ao MPF se vão acatar as recomendações. O procurador alertou que o descumprimento injustificado poderá levar à adoção de medidas judiciais.
A atuação faz parte de um inquérito civil conduzido pelo 3º Ofício da Procuradoria da República em Cáceres, iniciado após expediente encaminhado pela Defensoria Pública da União (DPU).
LEIA MAIS
Confira outras notícias de Mato Grosso no portal Destaque Cuiabá: https://www.destaquecuiaba.com.br/
Fonte: Diário de Cuiabá, com informações sobre recomendação do Ministério Público Federal.
Destaque Cuiabá — O melhor e mais completo canal de notícias de Mato Grosso.
Acompanhe esta e outras notícias em nosso site: https://www.destaquecuiaba.com.br
Redes sociais
- Instagram: https://www.instagram.com/destaque_cuiaba/
- YouTube: https://www.youtube.com/@DestaqueCuiab%C3%A1
- TikTok: https://www.tiktok.com/@destaque.cuiaba
Participe do nosso grupo de WhatsApp: Grupo de WhatsApp do Destaque Cuiabá
Siga, curta e compartilhe o Destaque Cuiabá. Informação, credibilidade e compromisso com Mato Grosso.
Compartilhar :



Publicar comentário